Mãe e suas versões



Debora Dalegrave, 34 anos, enfermeira, mãe da Isabella e do Matheus

FM: Como foi o processo de maternidade na tua vida?

Debora: Ser mãe mudou muito a minha vida, mudou meu tempo, mudou minha rotina, mudou minha maneira de pensar, as minhas prioridades. O nascimento da Isabella me fez crescer como mulher, despertou em mim uma força e uma vontade de ser melhor, de evoluir, de me conectar mais e mais com a minha fé. E quando o Matheus veio, cheio de surpresas em sua chegada, só reforçou os meus sentimentos, as minhas certezas que eu queria sempre ser mãe e me dedicar à maternidade. Os dois me fizeram crescer, amadurecer e entender o real motivo do meu propósito de vida, do amor, do que eu sinto por eles. Eles mudaram o que eu sou como pessoa, os sentimentos que eu tenho pelo próximo, me fizeram pensar cada vez mais em querer o bem, em ser presença e servir os meus com amor. Cada gestação, cada etapa seja ela da gestação ou após o nascimento dos nossos filhos, nos trás um novo aprendizado; cada fase com as suas dificuldades/desafios e alegrias, acredito que o processo da maternidade é uma constante construção.

FM: Quais as recompensas que você vê nesse processo?

Débora: Ser mãe é me doar/servir a todo o momento, é pensar e estar com eles, é me preocupar, é sentir medo/culpa, é descobrir um amor incondicional, uma felicidade, é querer aproveitar cada momento como se fosse único e, afinal, é mesmo. Ao mesmo tempo, é um processo de crescimento e amadurecimento, é entender o real motivo do meu propósito de vida, do amor; essas são algumas das recompensas que o maternar tem me proporcionado... um voltar para casa, para a casa do meu ser.

Além de amadurecer, viver em constante processo de autoeducação, pois como na vida é um aprender, desaprender e aprender de novo; é reconhecer as minhas fragilidades e supera-las; é organizar a casa e depois de 5 minutos, ver a mesma toda bagunçada novamente e sim, as vezes da vontade de chorar kkk, mas de parar e ver que na nossa casa existe vida e essa vida que está brincando, bagunçando e construindo o seu caminhar... assim acredito que a maior recompensa se desse para resumir seria: ter o privilegio de educar e amar uma outra alma humana.

FM: Quais as mudanças que aconteceram com a chegada do bebê?

Debora: Conciliar as opiniões e vontades de todos com as necessidades do bebê acredito que foi meu maior desafio. Tive algumas surtadas na primeira experiência, mas aprendi que o diálogo é a melhor saída, que expor os meus sentimentos, em especial para o marido, é amadurecer, é um processo a ser construído em conjunto pelo núcleo familiar. Reservar um tempo só para o nós, como casal, foi fundamental para lembrar que, debaixo do papel de mãe e do pai, existem ainda um homem e uma mulher que precisam de atenção.

Além do meu desapegar-se, desapegar de estar sempre fazendo algo, por dar valor ao que realmente importa, em voltar meu olhar para o que me sustenta, em especial minha espiritualidade. Também esta sendo uma nova fase de me aventurar em algumas paixões que antes eram “guardadas” como a escrita, sendo que a mais de um ano compartilho minhas experiencias/anseios por meio de textos no instagran e na coluna Papo de Mãe, aqui da Fred Magazine, e essa rede de apoio formada entre as leitoras e eu, tem sido um dos motivos de força.

FM: Você optou por dar uma pausa na profissão e cuidar dos pequenos, como foi essa escolha?

Debora: Essa escolha de ficar em casa sempre foi um desejo meu e apoiado pelo meu esposo, principalmente nos primeiros anos de vida aonde acontecem grandes fases do desenvolvimento. Claro que tiveram renúncias, tiveram ajustes desde a maneira de pensar e agir, mas tudo à final recompensa, por estar de acordo com os meus valores e naquilo que acreditamos ser o melhor para a nossa família. O que me entristece, é o julgamento de muitos ainda, mas poder estar perto deles e junto ao meu marido também, tem nos fortalecido, e também o meu olhar/estudo sobre o papel da mulher, sobre a nossa feminilidade tem realçado muito essa escolha e a certeza que sim, estamos (pois somos uma família) fazendo o melhor para nós.